Há 25 anos, dona Francisca trabalha levando crianças a pé para a escola em Santa Cruz do Rio Pardo
Reportagem: Doni de Oliveira
Quem é de Santa Cruz do Rio Pardo certamente se lembra do saudoso Biancão, conhecido por levar crianças para a escola em sua tradicional charrete. Outros cresceram acostumados com o transporte escolar feito por peruas. Mas, há 25 anos, uma moradora da Vila Divinéia decidiu criar seu próprio jeito de ajudar as famílias do bairro.
Francisca Donizeti Silva da Penha de 54 anos, resolveu oferecer aos pais um serviço diferente: levar e buscar crianças na escola caminhando.
Isso mesmo. Todos os dias, dona Francisca passa de casa em casa recolhendo os pequenos enquanto os pais seguem para o trabalho. A pé, ela acompanha as crianças até as escolas e creches do município, garantindo segurança, cuidado e atenção durante todo o trajeto.
Sem muita leitura e enfrentando dificuldades para conseguir um emprego melhor, Francisca encontrou na simplicidade uma forma digna de trabalhar e ajudar no sustento da família. O que começou como uma alternativa de renda acabou se transformando em uma missão de vida.
Ela leva crianças para unidades como a Escola Maria José Rios e a creche do Frei Chico. Após o término das aulas, retorna às unidades, busca os alunos e os entrega novamente aos pais em suas residências.
Hoje, cerca de 18 crianças fazem parte da rotina diária de dona Francisca, que afirma tratar cada uma delas como se fossem seus próprios filhos, o carinho das crianças é devolvido através de cartinhas.
Com o serviço, ela consegue uma renda mensal de aproximadamente R$ 1.200. Mas o reconhecimento e o carinho recebidos ao longo desses anos parecem valer ainda mais.
Emocionada, Francisca conta que muitas das crianças que ela levava no início do trabalho hoje já têm mais de 25 anos e continuam a chamá-la carinhosamente de “tia”.
Neste Dia das Mães, a história de dona Francisca representa dedicação, amor e cuidado com o próximo, mostrando que trabalhos simples também podem deixar marcas eternas na vida das pessoas.
