Psiquiatra condenado a mais de 24 anos de prisão é indiciado por novas denúncias de importunação sexual em Garça
Nova investigação aponta dois episódios envolvendo uma paciente durante consultas no CAPS. Com os novos relatos, número de mulheres que denunciaram o médico em Garça chega a 11.
A Polícia Civil de Garça (SP) indiciou o médico psiquiatra Rafael Pascon dos Santos por duas novas acusações de importunação sexual. Os casos teriam ocorrido durante atendimentos no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município, em abril e junho de 2024.
De acordo com informações divulgadas pelo G1, a nova investigação começou após uma paciente de 52 anos procurar a polícia e relatar situações que teriam ocorrido durante consultas com o profissional.
Segundo o depoimento, no primeiro episódio, registrado em 30 de abril de 2024, o médico teria abraçado a paciente de maneira prolongada e excessivamente próxima, provocando contato físico que ela considerou de natureza sexual.
Já no segundo atendimento, em 27 de junho do mesmo ano, o psiquiatra teria feito perguntas de cunho íntimo e sexual, incluindo questionamentos sobre tatuagens em regiões íntimas e práticas sexuais. A mulher relatou ter ficado constrangida, repreendeu o profissional e deixou o consultório.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Garça. Durante o inquérito, foram reunidos o depoimento da paciente, declarações de testemunhas e documentos médicos que confirmaram os atendimentos nas datas mencionadas.
O filho da mulher também prestou depoimento e confirmou ter recebido os relatos da mãe, além de tê-la acompanhado em uma consulta posterior. Ele, porém, não presenciou os episódios denunciados.
Conforme a Polícia Civil, a defesa do médico teve a oportunidade de prestar esclarecimentos, mas Rafael optou por permanecer em silêncio durante a fase policial. Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Judiciário para análise do Ministério Público e demais providências.
Médico já foi condenado a mais de 24 anos de prisão
Rafael Pascon dos Santos foi condenado em junho de 2026 pela Justiça de Marília a 24 anos e 16 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual contra pacientes.
Na mesma decisão, foi estabelecida indenização mínima de R$ 5 mil para cada uma das 18 pacientes reconhecidas como vítimas naquele processo, totalizando R$ 90 mil.
O médico também responde a outras acusações relacionadas a atendimentos realizados em Garça. Em um processo envolvendo dez mulheres, o Ministério Público apresentou acusações de 14 episódios de importunação sexual e seis de violência psicológica.
Número de denunciantes chega a 11 em Garça
Com as duas novas acusações, chega a 11 o número de mulheres que denunciaram o psiquiatra por crimes sexuais no município.
Rafael está preso preventivamente desde outubro de 2025, na Penitenciária de Gália. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo também suspendeu seu registro profissional, impedindo o exercício da medicina.
A Polícia Civil orienta que outras possíveis vítimas que tenham passado por atendimentos com o profissional em Garça procurem a Delegacia de Defesa da Mulher para registrar formalmente eventuais denúncias.
O novo indiciamento não representa uma nova condenação. As acusações ainda deverão ser analisadas pelas autoridades judiciais.
