Advogado Daniel Coelho é investigado após denúncia de diarista, e deixa direção da CODESAN em meio a polêmica

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O advogado e diretor administrativo-financeiro da Companhia de Desenvolvimento de Santana do Paraíso (CODESAN), Daniel Coelho, pediu exoneração do cargo na manhã desta quarta-feira (11), em meio a uma investigação que tomou grande repercussão após denúncia de supostas irregularidades envolvendo uma empresa aberta em nome de uma diarista que trabalhava em sua residência.

Denúncia e investigação policial

A crise teve início quando uma diarista, que prestou serviços na casa de Coelho desde 2023, procurou a Central de Polícia Judiciária para relatar ter tido seu nome utilizado na abertura de uma empresa — sem que ela soubesse plenamente do que se tratava. Segundo a trabalhadora, o registro teria ocorrido enquanto ela ainda exercia atividades domésticas no endereço particular do então diretor da CODESAN.

A diarista prestou depoimento ao delegado Dr. Valdir Alves de Oliveira, dando início às apurações formais sobre a possível fraude. O caso ganhou grande repercussão após a divulgação da denúncia nas redes sociais e em veículos de comunicação locais, que noticiaram os desdobramentos do processo. A investigação ainda corre sob sigilo, mas o episódio trouxe à tona questões sobre a lisura da gestão e uso de influências.

Empresa foi aberta em nome da diarista com endereço na cidade de Assis-SP

Sentença judicial que aumentou a pressão

A situação de Daniel Coelho se complicou ainda mais com a divulgação, pela IBTV, de uma sentença judicial envolvendo a empresa LFB Foods Ltda., registrada em nome da diarista que denunciou o caso. Nos autos do processo nº 0002361-87.2025.8.16.0035, a Justiça do Paraná determinou que a empresa fosse condenada por receber dezenas de pagamentos antecipados e não entregar 28 toneladas de frango ao comprador, mesmo após valores significativos terem sido repassados.

 

De acordo com a decisão judicial:

  • O autor da ação realizou pagamentos antecipados que totalizaram mais de R$ 173 mil ao longo de 2024;
  • Em novembro de 2024, pactuou-se a compra de 28 toneladas de frango, com pagamentos extras de R$ 107.100,00 e R$ 66.654,00;
  • A mercadoria não foi entregue, o que obrigou o comprador a adquirir o produto de terceiros por valores superiores;
  • A empresa não apresentou defesa no processo, não compareceu à audiência de conciliação e teve sua revelia decretada;
  • A juíza determinou a devolução de R$ 179.772,49, acrescidos de correção pela média do IPCA e juros de mora desde a citação;
  • Foi imposta ainda multa de 2% sobre o valor da causa e honorários advocatícios de 10%.

O processo não chegou a ser respondido formalmente pela LFB Foods Ltda., empresa ligada diretamente ao caso que motivou a investigação. A sentença, que foi amplamente divulgada, intensificou as críticas públicas à atuação de Coelho — sobretudo pela ligação entre a diarista denunciante, a empresa e o suposto uso indevido de nome.

Exoneração e repercussão pública

Em meio à pressão política e social, Daniel Coelho apresentou sua exoneração da CODESAN, autarquia que gerencia serviços estratégicos no município. Coelho havia assumido a direção administrativa-financeira em agosto de 2025, indicado por setores políticos alinhados à gestão municipal.

Apesar de não ter sido oficialmente acusado de crime até o momento, a associação de seu nome ao caso da diarista e à empresa investigada foi determinante para a sua saída do cargo. Procurado pela reportagem, Coelho ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Substituição na CODESAN

Para o lugar de Coelho, o prefeito Otacílio Assis (PL) convidou o servidor Fernando Rampazzo, que já ocupou o cargo de secretário de Administração na gestão do ex-prefeito Diego Singolani. Até então, Rampazzo atuava no setor de compras da Prefeitura.

Fernando Rampazzo assume a diretoria da CODESAN

A nomeação busca trazer estabilidade à CODESAN em meio ao desgaste da gestão e às críticas públicas que se intensificaram com a repercussão do caso.

Situação atual e próximos passos

O caso segue sob investigação policial e pode render desdobramentos judiciais se forem comprovadas irregularidades na abertura da empresa, no uso do nome da diarista e na condução dos negócios relacionados. A reportagem acompanha o desenrolar das apurações e continuará trazendo atualizações à medida que novas informações forem disponibilizadas.

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