Polícia Civil de Piraju investiga treinador de futebol suspeito de abusos sexuais contra alunos
A Polícia Civil de Piraju, no interior de São Paulo, instaurou um inquérito para investigar um treinador de futebol e monitor de esportes da rede pública municipal suspeito de praticar abusos sexuais contra alunos ao longo de vários anos. As denúncias ganharam força após um grupo de ex-alunos registrar boletins de ocorrência relatando crimes que teriam ocorrido entre 1998 e 2024.
De acordo com informações apuradas pelo portal g1, ao menos quatro denunciantes já procuraram as autoridades para relatar situações semelhantes. As vítimas, todas do sexo masculino, tinham entre 7 e 13 anos de idade na época dos fatos.
O investigado atua na rede pública desde 1992 e também é proprietário de uma escola de futebol particular, que segue em funcionamento e é mantida por empresários e pais de alunos.
Os depoimentos colhidos pela Polícia Civil indicam um padrão de comportamento que teria se repetido ao longo dos anos. Em um caso recente, registrado em 2024, uma vítima menor de idade procurou o Conselho Tutelar após relatar abusos que teriam ocorrido durante uma aula de educação física.
Conforme o registro oficial, a mãe do jovem percebeu mudanças significativas no comportamento do filho, como a recusa repentina em participar dos treinos, episódios frequentes de revolta e instabilidade emocional, além da necessidade de atendimento especializado no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).
Outro relato, que remonta ao ano de 2005, foi feito por uma vítima que hoje é adulta. Segundo o depoimento, o professor utilizava sua posição de autoridade para convidar alunos a irem até sua residência. Em um dos episódios, o treinador teria afirmado que o ato sexual “ajudaria nos treinos”, coagindo a criança a manter silêncio.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou que só conseguiu denunciar o crime em 2025, cerca de 20 anos após o ocorrido, após um desabafo nas redes sociais. Segundo ela, os abusos causaram impactos psicológicos duradouros, como ansiedade, depressão e problemas dermatológicos, sendo necessário acompanhamento psicológico.
Em nota oficial, a Prefeitura de Piraju confirmou que o investigado ocupava o cargo de monitor de esportes e que foi imediatamente afastado de suas funções públicas. O município informou ainda a abertura de dois processos administrativos internos e a proibição de contato do servidor com crianças e adolescentes em atividades da rede pública.
A defesa do treinador foi procurada pelo g1 e informou que deve se manifestar por meio de nota nas redes sociais. A Polícia Civil segue ouvindo possíveis novas testemunhas para apurar a extensão dos fatos e verificar se há outras vítimas.
