Augusto Cury dispara nas pesquisas e se consolida como novidade na corrida presidencial
Candidato do Avante sai de índices próximos de 1% e chega a dois dígitos em levantamento nacional; crescimento ocorre após maior exposição na televisão e forte avanço nas redes sociais
A corrida presidencial de 2026 ganhou uma nova variável nas últimas semanas. O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante, apresentou forte crescimento nas pesquisas de intenção de voto e passou a ocupar a terceira posição em alguns dos principais levantamentos nacionais.
O avanço mais expressivo aparece na pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (31). Cury passou de 2% para 11% das intenções de voto, uma alta de nove pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Com o resultado, ele aparece atrás de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro e à frente de outros nomes que vinham disputando espaço no campo da chamada terceira via. (Folha de S.Paulo)
Outro levantamento divulgado nesta segunda-feira confirma a tendência de crescimento. Na AtlasIntel, Cury passou de 1,6% para 7,8%, uma evolução de 6,2 pontos percentuais. O candidato aparece tecnicamente empatado com Renan Santos e à frente de Ronaldo Caiado e Romeu Zema. A pesquisa ouviu 5.014 eleitores entre 25 e 30 de agosto, com margem de erro de um ponto percentual. (UOL Notícias)
Crescimento em diferentes levantamentos
Os números, porém, ainda apresentam diferenças importantes de acordo com o instituto e a metodologia utilizada. Na pesquisa PoderData/AYA, realizada entre 23 e 26 de agosto, Cury aparece com 4% das intenções de voto. Já na BTG/Nexus, realizada por telefone entre 28 e 30 de agosto, chega a 11%. (UOL Notícias)
A diferença entre os resultados reforça a necessidade de cautela na interpretação dos números. As pesquisas utilizam métodos, períodos de coleta e amostras diferentes e, portanto, não devem ser comparadas como se fossem uma única série histórica.
Ainda assim, existe um ponto em comum: Cury deixou de aparecer apenas nas faixas residuais das pesquisas e passou a disputar diretamente o terceiro lugar.
O que aconteceu nas últimas semanas?
A mudança coincide com um aumento significativo da exposição pública do candidato. A participação no debate presidencial da Band, em 23 de agosto, foi seguida por forte crescimento da presença de Cury nas redes sociais e nas buscas na internet.
Segundo dados citados pela CNN Brasil, o volume de pesquisas por Augusto Cury no Google aumentou cerca de 900% na semana seguinte ao debate. No mesmo período, seu número de seguidores no Instagram também apresentou crescimento expressivo. (CNN Brasil)
Levantamento citado pela Folha aponta que Cury ganhou aproximadamente 2,4 milhões de seguidores após o debate, chegando a mais de 10 milhões na plataforma. O fenômeno ajudou a ampliar a exposição de um candidato que, até poucas semanas atrás, tinha participação bastante discreta nas pesquisas. (Folha de S.Paulo)
De 0,5% a dois dígitos
Os levantamentos anteriores ajudam a dimensionar o tamanho da mudança.
Em uma pesquisa realizada em Goiás em junho, Cury aparecia com apenas 0,5% das intenções de voto, muito distante dos primeiros colocados naquele cenário estadual. (Acieg)
Nas pesquisas nacionais seguintes, os números começaram a subir. Primeiro, Cury apareceu na faixa de 1% a 2%. Depois, chegou a 7,8% na AtlasIntel e, finalmente, alcançou 11% na BTG/Nexus.
A trajetória representa uma transformação significativa em pouco tempo, embora ainda seja cedo para afirmar que todo o crescimento será mantido até o primeiro turno.
A disputa pela terceira via
O crescimento de Cury também altera a disputa entre os candidatos que tentam romper a polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
Na BTG/Nexus, Cury aparece com 11%, enquanto Ronaldo Caiado registra 6%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 2%. (Folha de S.Paulo)
Na AtlasIntel, Cury marca 7,8%, tecnicamente empatado com Renan Santos, que aparece com 7,6%. Caiado tem 3,3% e Zema, 1%. (UOL Notícias)
O cenário coloca Cury em posição de destaque entre os candidatos que buscam ocupar o espaço do eleitor que não se identifica com a polarização política.
Crescimento ainda precisa ser confirmado
Apesar do salto, os números não significam que Cury esteja próximo dos líderes da eleição. Na pesquisa AtlasIntel, Lula aparece com 43,4% e Flávio Bolsonaro com 33,7%. Na BTG/Nexus, Lula tem 37% e Flávio, 31%. (UOL Notícias)
A principal questão agora é saber se o crescimento de Cury representa um movimento consolidado ou um pico provocado pela exposição recente.
A próxima rodada de pesquisas será importante para responder a essa pergunta. Se Cury permanecer acima dos 5% ou 10% em diferentes institutos, poderá consolidar definitivamente sua posição como principal nome da terceira via. Caso recue significativamente, o atual movimento poderá ser interpretado como um fenômeno de curto prazo provocado pela maior exposição na televisão e nas redes sociais.
Por enquanto, os números mostram uma realidade inequívoca: Augusto Cury deixou de ser um candidato periférico nas pesquisas e passou a ser um dos nomes que movimentam a disputa presidencial de 2026.
